24.6.09

"Aquela" Arrogância

Entre os seres que nós,
ou como nós
tendem a pensar que as pessoas se possuem, como se possui a amizade ou o amor, adereços da vida quotidiana,
que como tudo o resto somos donos do Mundo se por vezes nem do nosso,
remete-se para a arrogância, uma que roça a má educação e prepotência quando as atitudes nos chegam ao nariz e tem que se dizer que basta
há coisa de que me orgulho
essa tal é a de ter conquistado a minha vida como só minha, dono do meu senhor nariz e pés que me levam onde quiser, com quem quiser e onde quiser,
obviamente sempre que puder
porque nem todos os seres são feitos para se rodearem de prisões dentro e fora de si,
porque genuinamente existe quem goste da liberdade,
dos espaços abertos dentro dos olhos e fora da mente, de saber quem realmente tem e quem precisa de adjectivos para sentir que nos tem,
esses sim completamente antagónicos de quem somos, do que sonhamos e desejamos para a nossa existência
é disto que falo
de sonhar uma existência e construí-la em redor disso
sem admitir que nos coloquem em causa as motivações, as opções e os caminhos que temos de percorrer para lá chegar
se apelo pela diferença, que seja respeitado por ela
pois tudo e todos têm o seu senão,
sendo o meu esta atípica existência, a dita estranha forma de viver
a vós que me sentem e entendem, o meu sorriso pertence-vos
aos que não,
devoto-vos ao lugar onde pertencem

;)

17.6.09

The Saddest Girl to Ever Hold a Martini

Escreve-se a partir de uma qualquer ilha do Mediterrâneo,
dado o nome à "mana" mais pequena, Menorca
apelou-me algures o ano passado enquanto em plena aproximação à pista notei as falésias e villas com piscina que por tal lugar pareciam acompanhar a linha de costa
sendo pessoa dada a ideias fixas convenci-me nesse dia que colocaria a dita ilha num qualquer top imaginário a visitar "brevemente"
ora o tal do brevemente foi ontem,
a tal da ilha ainda dá pelo nome de Menorca e eu ainda dou pelo nome de M
ou algo para tal efeito

há pensamentos que nos assolam os dias, os fins de tarde e inícios de noite
os caminhos que percorremos para chegar a determinado lugar,
quem nos acompanha pelo caminho e quem fica para trás
há um sem-número de instâncias que nos levam a percorrer esse trilho ao qual chamamos umas vezes indevida,
outras bem mais que devida
vida
sendo que vida é presente em ambos os termos, estou em crer que a dualidade delas se adapta mais que bem a este discurso, até porque yours truly tem o seu quê de dualidade
é fantástico acordar no paraíso,
a água do Mar é quente e transparente, os locais são amistosos, há paz e sossego ao virar da esquina
há Sol, há pele a ganhar um tom mais escuro, existem lugares misteriosos escondidos para lá das paredes desta varanda de onde me dirijo a vocês ou, como mais vezes que costume,
a mim mesmo
entre pensamentos desviantes à minha natureza, à forma como penso e sinto, à racionalidade e afins
existem realidades alternativas que se prendem a ideias erradas do Mundo,
os ditos dourar a pílula apenas porque
como se sonhos e realidade fossem sempre ligados por um fio condutor e não fossem os primeiros um melhoramento da segunda
nesta dualidade encaixo eu,
pleno de sonhos, alguns que por vezes tendem a atormentar-me de tão boas versões que são da dita realidade mas que, ao acordar
choca de frente com a racionalidade do seu ser e com a realidade com que se depara
assim ao final da noite ergue-se o copo
este de cuba libre e apagam-se as luzes
chegou a hora de sonhar

4.6.09

Meu

Tens olhos verdes
e não, apenas do Sol e da forma como a íris se adapta ao excesso de exposição solar
não que algum dia tenha tido excessos,
ainda que a pele morta a provar-me o contrário e as temporárias sardas que habitam no meu nariz há dias
talvez contagiosas
a fazer pensar que vivo suspenso entre entretantos, como se a vida não fôra mais que um play>pause>play ao qual me tento adaptar e no qual vou encontrando reflexos de mim
hoje ofendido porque lamento
não sou tremendamente inseguro
que o diga quem me conhece de ginjeira e a alma ainda em horários estranhos,
de pessoa que deita às sete ou oito acorda às três quase quatro e estranhámos
eu e o senhor do táxi
afinal de contas amanhece às quatro e trinta pois
já luz viva e céu azul e juraria que sete da manhã noutro lugar qualquer,
a mensagem que não podia faltar entre a Natalie que pergunta para quem sempre
como se duas vezes sempre
eu sorridente digo que a querida gosta de acordar com as minhas palavras sussurradas ao ouvido e hoje,
hoje perdi-me por entre parêntisis e frustrações de animal enjaulado pois se há coisa que não suporto são liberdades aparentes,
glimpses de
a sonhar com não sei quem não sei onde mas sei a fazer o quê
e a outra entre pensamentos porque personifica isso e vai daí,
mais um dia entre paredes
parece que um dia vão cair, derrubadas e extremamente inconsertáveis as ditas
eu correndo louco pela rua fora direito ao pedaço de Oceano mais próximo a descalçar-me metros antes e de imediato
enterrados os pés na areia
calhaus se Brighton
talvez novamente sentir-me completo a olhar para cima apenas céu,
em volta apenas azul
em mim apenas eu e o que me preencher nessa dita altura,
meu
talvez morrendo amanhã num virar de costas ou quem sabe
viver por oitenta anos mais,
como se
e talvez apenas sustente mais este pouco de mim com as melhores memórias em imenso tempo
que apenas doze dias fizeram,
uns bem mais que outros mas praticamente todos imenso
de mim que me encontrei preenchido
nessa dita altura o que me preencheu e preenche
meu

Este post é dedicado ao Joe, à Pi, à Natália e ao Luís. Á Carolina. Á Andreia e o seu novo número religiosamente guardado. É dedicado ao bar da praia, à onda do lagido, à minha prancha, à areia do Oeste, às meninas do bar, à praia del rey, ao meu carro que fez mais de mil quilómetros em dias, aos senhores do restaurante onde fui "n" vezes, ao Simon que é nosso Comandante e me deixou sentar o cú no cockpit para o Londres-Lisboa no meu primeiro dia de férias. Aos meus Pais que são tudo, à Snow que continue a chiar por anos vindouros. Ao smokie a quem amo a sua dupla personalidade. Á periquita que tem um estranho fetiche por mim. Ao periquito que a atura. Ao nosso gato novo que é um gremlin. A vocês que têm o desplante de me ler. Gosto mais de vocês que de beber copos de água!

16.5.09

A Domani

A domani, Milano
e o tempo em N como se os ponteiros do relógio feitos de letras e eu feito de mecanismos que mexem aos poucos
precisos e precisamente para onde devem a menos que
o Tal que proíba
me falte a energia e me quede em total inércia não de tempo
outras coisas
fazes-me bem,
a lembrar a frase feita e gozada pelo Sérgio numa qualquer noite em que nós já muito e ele sai-se com
fazes-me falta
o que era obviamente associado ao futebol virtual assim ficou marcado por um acesso de carinho e amor óbvio motivo de piada para semanas vindouras,
não fôramos nós todos um raio de desgraçadamente loucos, ainda que loucos ainda
definitivamente mais velhos, mais estragados, mais sábios e perspicazes a coisas destas de quem por motivo algum diz
fazes-me bem
de imediato a saltar à cabeça as frases do umbigo,
da que se perde nela mesma porque não sabe nem quererá sequer saber
do que tentam fazer de mim todos os dias e eu
não, não, não
sem deixar
como as palavras como as ideias do livro do Lobo Antunes que recomecei a ler,
não o Nuno o António
as pálpebras pesadas e o coração inerte, já demasiadamente habituado a estas andanças e eu às manhas dele que não, não, não
passando por isto e aquilo que não sei bem nem sabem do outro lado e os anos de silêncios que se fazem entretantos e aqui singramos aparentemente ainda bons,
imutáveis e crianças
quase que a ignorar que o tempo não faz mossa, não faz ruga, não ataca aqui e ali acreditando como um dia acreditei
que nos reciclamos ao envelhecer
regressar a crianças,
limpas as rugas, renascido o cabelo e o sorriso, os sonhos todos lá e o coração puro
pronto para recomeçar da estaca zero como as que me relembram daquela praia no Sul
fim de tarde e eu e a R a lutar não sei bem pelo quê que nunca entendi,
mas o fim de tarde era azul e ficou sempre azul, como eu eventualmente fiquei

o tempo muda-nos, aos poucos
como os pratos de uma balança que pendem ora para um lado ou outro,
as pessoas que nos tentam mover, não que sejamos montanhas ainda que por vezes ajamos como tal
não sou inerte mas dinâmico ser,
a mente que mexe por vezes mais que o corpo que se queda para lhe dar passagem e eu aqui
novamente
pálpebras pesadas e os sonhos por vir
a domani,
Milano

10.5.09

Come On Over, Let's go Dance

Há dias em que os dedos acordam como se com vida própria,
só deles à qual assistimos inertes mas sorridentes, de olhos postos no pedaço de papel, ainda que este digital, em que redigem aquilo que passa directamente do nosso cerne à ponta das falanges
provando assim que a consciência é, por vezes, um mero muro que erguemos ao longo da vida entre o que realmente somos e o que somos toldados a ser,
por vezes obrigados
incapazes de sequer querer começar a querer saber disso, as falanges, essas vias de mágica do ser, dançam por si mesmas e por sua livre e espontânea vontade, ao sabor das essências que o dito ser lhe transmite
os raios de luz que aquecem a pele, o vento polvilhado de pólens e cheiros agradáveis que pairam no ar,
o tipo de coisa simples que simplesmente deixa a pele em ponto galinha de puro e sensível prazer
o consciente em harmonia com o ser, esse
a cada dia mais certo das distâncias e distanciamentos com o Passado
em plena e amena cavaqueira com os seres do hoje,
de quem importa e quem se faz importar
esses também seres, como eu e os outros, plenos de peculiaridades que deveras aprecio
maioritariamente as mais simples,
portanto as mais raras
entre o erotismo de mais uma música de Zero7 que preenche os espaços vazios da casa no meu início de manhã, ou mais um cigarro que se esvai literalmente em fumo
só mais este e estamos acabados de vez
entre os pequenos vícios mortais, dos quais creio já ter sido adepto de praticamente todos, resta-me este em particular
que nada tem de bom a não ser aquela momentânea pausa para debitar para dentro de mim as ideias, os balanços, as coisas boas e más de existir hoje e agora
como se de pleno existencialista fosse e me tratasse,
e não como irresponsável imaturo incapaz de impingir o que seja a quem quer que fôsse,
imutável nas minhas atitudes,
mas não sou, não tanto assim e que o digam e por mim escrevam as falanges que,
ao ritmo do erotismo musical
acompanham o meu ser ao longo deste dia e de mim para vocês desse lado do ecrã
como que se os dedos estendidos e o sorriso posto
cá estás tu
cá estou eu

8.5.09

Grazzie!

A tudo e todos,
que lá fora o céu continua com estrelas mil
por muitas quantas noites tenha nuvens que nos façam duvidar da sua presença
mesmo que a lua opte por se eclipsar da nossa insignificante e redundante vista para porque sim e porque pode
senhora de si mesmo
ocultar-se como se ela também eterna fosse
vários e vários momentos eu a fitá-la e pensar que a mesma foi vista por Carlos Magno, Jesus Cristo ou qualquer outro mortal que conseguiu pular a barreira do anonimato
gloriosa e senhora de si mesmo
optou por permanecer inerte a tais insignificantes e redundantes seres e suas vistas
porque afinal fingir que se é de todo igual quando se sente prazer na diferença,
nas vicissitudes das coisas boas e na coerência a que nos damos entre detalhes em que mais ninguém opta reparar
porquê arrastar noites em pequenos nadas que são tudo,
dias em tudo que não significam espremidos uma gota de nada
aparte esta humanidade que me assola hoje e talvez tenha vindo para ficar um qualquer tempo,
não será por isso que menos cáustico e sarcástico, menos sonhador cá dentro enclausurado feito gato grande em jaula mínima de fortes barras de ferro e porta por abrir
incapaz de verter lágrima às infelicidades que assolam os outros mas com alma suficiente para partilhar o que lhes vai na deles,
eventualmente deixando-me assim sensaborão,
entre sorrir porque gosto e sei que gosto,
como é bom saber ainda gostar
ou ficar simplesmente arrasado porque estamos cá para isso,
partilhar tudo o que possamos da nossa existência
aprendendo contigo, com eles e elas
os bons e maus, justos e injustos, bonitos e feios por dentro, por fora
que todo o dia assim menos humano,
menos dado e feito para dar
é mais uma oportunidade perdida para também receber,
aprender
seguir enfim em frente e não mais estar entre jaulas
no mesmo lugar

5.5.09

365

Diz que fez hoje um ano que tirei os pés do chão,
por assim dizer pois existem aqueles de nós que parecem nunca os ter assente no dito algum dia
como se por teima ou por desculpa genética tendessem sempre a pairar com os ditos pés a centímetros, metros e mesmo quilómetros do solo
dependendo do dia claro está
tudo tem aspectos positivos e negativos
um tal de Ying e Yang, preto e branco, faces díspares da mesma moeda que por algum motivo nunca se encontram
o Ying é óbvio
o ar sorridente de menino com os olhos pousados em tudo, minuciosamente atento às peculiaridades de lugares e pessoas, com um toque de inocência e outro de sensatez
dose abismal de bondade
o Yang que o torna díspare de outros seres que com ele partilha semelhanças fisionómicas, opiniões ao de leve e coisas de adultos como a casa que queremos, o número de filhos e o casamento de sonho que alguém prometeu sem nunca ter aberto boca
afinal de contas faz um ano entre vôos,
por um Mundo que era imenso e se fez mais pequeno como que do tamanho da palma de uma mão, de milhares e milhares de rostos e centenas e centenas de conversas, de sorrisos e gargalhadas sonoras, de danças e malícias risonhas
um ano passa depressa, o que nos faz ponderar para que ralo é sugada a nossa existência, onde andam as pessoas que por aqui passaram, os amigos de longa data e onde estaremos todos daqui a mais um (célere) ano
enquanto o Sol se vai pondo para lá das encostas verdejantes de Inglaterra,
os pássaros recolhem-se por entre as árvores do jardim de onde escrevo
o cão já semi-exausto brinca com a sua bola predilecta
eu já exausto sorrio sereno
para onde vamos?
de onde viemos.

4.5.09

Um Dia Serei Perna de Pau

Um dia vou saber pintar em palavras e cores rectas como me sinto,
de que é enfim, feita a felicidade em mim
terá sido dos passos que dei em paralelo com outro par de pés?
tendo em conta que ainda não tive amigos, amigas ou namoradas pernetas
tivera eu tido um ou uma de tais e chamava-lhe Pirata,
com um gelado perna-de-pau da Olá na mão e um sorriso malicioso
um dia vou ter um amigo ou amiga pirata,
uma namorada pirata que me seguirá ao pé-coxinho (afinal de contas o único que lhe resta, portanto não bem coxinho) e mascar-nos-emos de pirata e pirato,
como se pirato um termo fôra mas não se faz pouco de sonhos infantis dos adultos
um dia navegaremos pelos mares fora,
o factor 100 na mala e a pele já tostada, com a nossa roupa de riscas pendurada ao vento e as ondas a estatelarem-se contra o casco
no horizonte coisa nenhuma, absoluta e completamente sós no espaço, não no tempo
seremos peças pequenas por um Oceano gigantesco fora,
com o suor e a água salgada pela pele, como se por momentos apenas fôssemos parte daquele elemento
ao delinear a rota pelo mar fora, eu e perna-de-pau teremos em comum a aventura que é existir,
seguindo enfim sem rumo aparentemente delineado
um dia vou seguir, tendo então mais palavras para debitar do dicionário para a alma,
da alma para o brilho nos olhos,
dos olhos para aqui
onde estão vocês

As Essências

Da felicidade,
coisa acerca da qual se escreve muito, se discute efectivamente pouco e se sonha constantemente
sonho eu,
enquanto humano que sou cá dentro, feito de carne, osso e cabelo, sangue e água
muita água, dizem
pois muita água corre por nós em determinados tempos da nossa existência
no nascer anuncia que sim, estamos vivos e bem aborrecidos por termos sido removidos do conforto para este discutível Mundo
que hoje não vou categorizar de bom ou mau, apenas o que ele é
sendo portanto
tudo isso
ocasionalmente choramos de felicidade,
sei eu que já o fiz e também conseguiria com atroz certeza identificar todas as outras vezes que o fiz tantas quantas as que me senti preenchidamente feliz
em vida curta esta,
que é como dizer que abrir e fechar de olhos e passou tudo
todas as memórias, todas as pessoas, todo o Amor e ódios de estimação
todos os ecos de risos e sorrisos, de olhares cúmplices e todos os adeus,
vivemos no ralo da existência,
serenos
sempre dispostos a sonhar com a essência que nos faz maiores,
humanos
que desperta em nós as mais deliciosas sensações,
o nosso melhor lado
ao fim de cada dia vencidos para novamente acordar dispostos
contemplando o Mundo para o qual fomos atirados,
serenos,
sonhamos com ela
a Felicidade

30.4.09

Vida

Ultimamente tenho dado conta que não prego afinal, aos peixes
diz quem sabe quem é e concerteza sendo fervoroso adepto da causalidade matemática
acredito que haja quem não diga
que me lê, ou que lê o que a minha mente debita em singelos cinco minutos que me levam a escrever um post sendo que, confesso-vos mais que honestamente, há outras alturas em que escrevo apenas nas paredes da minha mente coisas bem mais articuladas, vivas e deveras tocantes
tocantes pelo menos a mim ou às résteas de alma que me surgem ocasionalmente, entre a minha ora aparente apatia, ora aparente arrogância e que vá lá
aceito
faz de mim diferente, especial ou qualquer outro adjectivo que queiram colocar na minha tshirt para substituir o Super Mário
faz anos que não penso em mim com adjectivos mas antes com sensações,
das gargalhadas que dei, da água gelada do mar na pele, dos lábios de alguém e a que cheirava a sua pele, de olhares que diziam tudo por tempos a fio e da sensação de me afogar,
confesso que já houve uma ou outra ocasião em que apesar de óptimo na arte de nadar, experienciei o que existe de próximo do afogamento
de me sentir acompanhado quando só e completa e tremendamente só mesmo quando acompanhado, dos sonhos que tive a dormir e os que surgiram de olhos plenamente abertos
não meço portanto os meus dias em calendário mas em experiências e se foi muito ou pouco tempo que as separou, ao que a intensidade também conta para a matemática
existe algo de tremendamente compensador em saber que conseguimos subsistir sozinhos
testando a força que existe dentro de nós para superar cada dia, cada semana, cada Estação do ano,
superar os que nos querem menos bem, aceitar com um sorriso a sua pequenez e a mesquinhez que existirá sempre no ser humano
aceitar que existem pessoas mais inteligentes, mais bonitas, com melhor sentido de humor, ínfimas qualidades mas não esquecer de quem somos e de que nos podemos orgulhar
há qualidades em nós, humanos, que são incomparáveis pelo simples factor de serem únicas
sem o senhor A ter mais que o senhor B como se de um saldo se tratasse existem o Carácter e o Amor. Próprio e pelos outros,
sendo que podemos catalogar cada um como sim, diferente e peculiar, são total e completamente incomparáveis
quem tem Amor tem-no, seja por algo na vida ou por alguém,
seja por si mesmo
quem tem Carácter tem-no, sempre alvo a abater como se na rua puxasse um dito simplesmente para no dia seguinte voltar a fazê-lo
Ninguém diz que a vida é fácil, simples
que iremos todos ser felizes e realizar os nossos sonhos e que sim,
as histórias dos livros e dos filmes que nos inspiram o que de melhor há em nós são todas reais e tudo de bom acontecerá na nossa vida
não são,
antes são versões ideais de como a vida deveria ser e não é
ou rasgos de inspiração de como a podemos moldar
encontrarão sempre na vida quem vos tente colocar de rastos mas guardem,
guardem o que de melhor possuem e partilhem-no com quem de melhor conhecem
não importa o que se escreva ou diga,
a única coisa que importa nesta vida é em suma
o que se faz com ela

26.4.09

"Callate" e Dá-me Lume

Pousei as patas novamente em Londres
nisto de vida às costas ou eu às da dita e embarcarmos num airbus como o senhor António embarca no Cacelheiro para fazer a travessia do Tejo,
pensar que ainda ontem acordei na praia, o odor ainda doce e a casa ainda meio que desarrumada mas limpa como me apeteceu tê-la,
as minhas coisas no lugar devido, outras no lugar mais proibido possível e a sensação que estava em suma
satisfeito
caminhei da porta ao carro, esses longos dez passos para aqueles longos trinta segundos que demoram a fazer a rota CSA-BDP,
entenda-se Casa - Bar da Praia
apenas com os poucos estrangeiros que se deleitam com as ondas no seu momento de pausa, o meu galão e sandes mista com o Sol (desta feita o jornal) e A Bola à mistura
não sei porque compro ocasionalmente A Bola se a "leio" em coisa de cinco minutos,
de tão enfadonha leitura que é, bem poderiam fazer para nós uma mini-Bola com notícias apenas do Benfica, dos novos cromos que vêm e dos que vão, se o Eusébio ainda come bitoques e alguém que faça uma coluna a explicar porque é que o Shéu & Amigos continuam por tais paragens
ao ser confrontado com a realidade que agora me traz directamente da minha cama no Reino Unido,
coisa que soa ao Senhor Doutor Príncipe Desencantado numa qualquer Suíte Real,
lá tive que pegar nas matrucalhas e mudar-me com relativa prontidão para a base de onde hoje, voltei a voar para aqui
daqui a pouco mais de vinte e quatro horas acordo para mandar o meu real - ou Principesco para quem estava atento - traseiro para Thessaloniki, coisa que tem o seu nome em Português mas ao qual não dou devida importância porque à excepção das miúdas parvamente giras, é ponto do Globo que não me traz qualquer ameno ao peito,
não só porque para tal vou ter que me erguer do lençol às três e coisa da madrugada como tenho que ir aturar o outro e a sua namorada e mais não sei quem, todos juntos a aturar cento e cinquenta gregos e gregas comigo a pensar que mais valia uma única onda de meio metro e um dia a lavar a casa,
na praia!

Nisto sugiro ainda que as pessoas tomem as seguintes atitudes na vida,
se têm algo a dizer que o digam, se têm algo a fazer que o façam, se não têm remorsos que sigam, se os têm que exorcizem os seus demónios e que se estão apenas para chatear, canalizem a energia para a mãezinha, paizinho e o diverso agregado familiar

Estou feliz, estupida e parvamente feliz de simplicidades
não estou apaixonado senão pela vida, pela energia positiva que tenho em mim e pelo Mundo que me continua a oferecer momentos Kodac quando mais preciso
fiquei a saber que vou morrer muito velho e que tenho muito mais de mim para dar,
mas isso já sabia
cheguei a casa e não só tinha o meu casaco da Adidas da candonga à minha espera como a Andreia me preparou a única e verdadeira surpresa da Páscoa feita Natal que me lembro de ter nestes últimos anos
dedicação assim é coisa difícil de encontrar num Mundo como o nosso e se por grande parte da minha alma o meu comovido obrigado, por aquela parte que é como um rochedo que sobrevive no meio do Mar - tipo as Berlengas!? - fico sorridente, passiva mas tocadamente sorridente
há quem entenda?

20.4.09

Time has no need to be Nervous

Cai no colo a segunda-feira,
enquanto alta e altamente se ouve um unplugged blues por esta casa grande algures nos outskirts de Lisboa ou do raio que parta qualquer que seja esta Região manhosa sem apelo
para não diversificar assim tanto quanto isso tenho a mala feita e pronta a seguir, ainda longe de vôos, para um qualquer lugar onde respire Mar e os pés se possam afundar lentamente na areia
por vezes apetece ir sem rumo, não regressar mais à vida como a conhecemos
tenho feito umas coisas jeitosas com o meu tempo,
menos internet, menos converseta da treta - daquela que nunca tive paciência para - e escovar da vida toda aquela camada de calcário humano que se acumula como o senhor dito às maquinazinhas de Portugal que não usam calgon ou calgonit ou caganit
chocante pensar que afinal uma máquina velha tem calcário vs. a máquina NOVA para o anúncio que não tem,
fico escandalizado!

Smile and wave boys,
e seguimos assim os nossos caminhos díspares como se algum dia tivesse importado afinal que caminhos paralelos as pessoas seguiam
há que ver afinal que a vida não é a literatura nem o cinema, esses sim são representantes de embelezamentos da vida, de apanhados compactos e floreados da dita
o que não tem de significar uma realidade enfadonha e cinzenta,
não o é, a menos que queiras
mas seria bom um dia as pessoas saírem dessa bolha de ilusões em que vivem hipnotizadas pelo que não é, crendo fazê-lo passar pelo que deva ser, certas que assim é

Meet you in the big blue!

13.4.09

LowCuras

Foram cento e cinquenta postagens em coisa de ano e meio.
Para os mais desatentos nas lides matemáticas dá coisa de muito pouca escrita para uma escala de tempo relativamente vasta e preenchida como foi a coisa.
Bem sei que não é meu hábito ser específico no que escrevo, deixando sempre os nomes de fora, os rostos como quem respeita a privacidade das pessoas que orbitam na minha existência e eu na delas. Convenhamos que uma órbita algo discutível, sendo que é nada mais que intermitente.

Andar alheado do Mundo tem conveniências.
Não obriga a sorrisos de circunstância, a telefonemas, mensagens, e-mails ou até abrir o MSN para conversas do quotidiano. Porque não, porque me alheei dessa coisa chata que é o quotidiano - tenho o meu e não me parece certo partilhá-lo, para quê levar com o dos outros? - sendo que nada pode ser mais desinteressante que a arte mundana de viver.

Há aí um punhado curto de esquizofrénicos que me agradam.
De tão atípicos que são puxam a minha atipicidade - passo a expressão a ferro - e despegam-se de quaisquer modus vivendis menos apelativos, mais entediantes, menos sexy ou seja, simplesmente mais malucos do que se possa qualificar.
Ora ninguém faz isto de propósito. Não por muito tempo pelo menos. A loucura é uma forma de estar, de viver e de encarar a vida. É do meu strangers in the night quando ilumino a reading light na galley instantes antes de aterrar. É a Magda que quer ir amanhã a outro sítio qualquer na Europa do pé para a mão. É o João que se balda ao trabalho para irmos para a praia. A Li que fica tirada do sério. O Say que grita Marco Polo cada vez que me vê. O Manuca e aventuras que davam BD. O Luís que apesar de continuar o mesmo tem mais sonhos que nunca. O João que me faz rir como sempre fez. A Andreia que teima em estar presente com a sua peculiar forma de ser. A Thu que me vai fazer ir à Finlândia gelar o rabo. A E. que de tão sumida que se torna não sei se viva se morta. O André que algures para a Tailândia continua a ser o meu irmão. A Joaninha e os seus sonhos de menina pequena em cara de menina grande com olhos que sonham como ninguém.

E mais, bem mais que não sei dizer, porque não quero ora não posso. Porque podia, mas não me apetece!

Gosto de vocês todos, até dos que me põem de parte ou simplesmente que não me entendem. Que nunca perceberão que não tenho malícia como a que vive para aí mas um carácter forte que não verga àquilo que eu acho incorrecto, deselegante ou inapropriado. Porque eu sou eu e tu és tu. Porque somos todos outros e convém sermos loucos de sinceridade acerca de como somos. Acima de tudo apreciar isso que somos, seres inequivocamente únicos que têm apenas este bocadinho que é viver para serem como são ao máximo do que possam ser.

Se não fazes disso o teu modus vivendis não te preocupes. Cada um tem o seu peculiar modo de ser...

3.4.09

World

O Mundo é deveras fascinante
não que tenha dado por isso agora enquanto quase completo uma directa de um longo e preenchidíssimo dia mas nunca é demais lembrar que sim
é fascinante
com os seus peculiares seres
Acordado ainda era noite, chegado a mais um dia de trabalho ainda noite, iniciado mais um vôo e ainda era noite até que na subida me viro para o João e digo
finalmente o nascer do Sol e já não era sem tempo
como se fôra o tempo tudo
entre esse nascer do meu dia e o morrer do mesmo já me passaram dezenas de conversas e centenas de olhares, milhares de passos, cheiros e detalhes que captei
um acordar em Londres com paragem no Sul de Espanha com regresso a Londres para largar a farda e refrescar para sair de seguida para o Sul de Inglaterra até Brighton onde convenhamos entre gaivotas que pairavam à beira da varanda assisti
ao pôr-do-sol
enquanto julgava todas estas coisas simples quase só minhas, por óptima que a companhia fôsse, julgava também as voltas que a vida dá
a pessoa aparentemente cruel que não sou, tótó que efectivamente nunca serei e a inevitável incompreensão a que são dadas certas pessoas no fascinante Mundo dos fascinantes seres
nesta aparente inacessibilidade que deixa tanta gente em mar alto como se corressem risco de naufragar numa costa de mau feitio perde-se afinal tudo e perco eu a vontade de me dar mais ou de sequer fingir que quero saber
sem queixas e sem humanos desesperos, satisfeito com as opções correctas que nos possam reger a todos sendo que a nossa vida é apenas uma questão de (nossa) perspectiva
haverão sempre coisas que ficarão por dizer e ouvir, coisas que ficarão por sentir e saborear, lugares que ficarão virgens da nossa presença
como haverão sempre lugares e pessoas mágicas,
liberdades e escolhas que são e serão só nossas,
como existirá sempre
o nascer e o pôr do Sol

22.3.09

Let The Sunshine

O Sol finalmente descobriu,
bem-vindo como é habitual, como se de salvador se tratasse que nos entretantos nos deixa a pele mais morena tanto como doura a disposição, é convidado a entrar janelas dentro nesta casa de tijolos vermelhos e telhados escuros
a duas horas de reportar para mais um medium haul flight, desta feita Sofia com todas as expectativas que costumo colocar relativamente a estes vôos feitos de personagens caricatas
existe o senhor que só pode ser mobster, a senhora que só pode ter aspirações a modelo-pornstar, as meninas que vibram imenso com a nossa presença e os outros que não falam pingo, ponta de, ideia de Inglês ou qualquer outra coisa que não se resolva com alguma linguagem gestual e uma dose ínfima de paciência
em dias destes leva-se o sorriso para o trabalho
porque conhecemos A e B, porque ao chegar C e D fazem uma festa por nos ver e apuram os seus sotaques como se eu de Italiano me tratasse que não sou
mas gosto
como todos gostamos de escapar imunes à indiferença e à distância que, especialmente aqui, as pessoas devotam às outras
a alguns poucos milhares de quilómetros fica o ideal do depois de amanhã, quando mais uma vez sentado no 10F orgulhoso dos meus óculos de Sol e do meu ar "clean and fresh" de quem não está nem virado a pensar em trabalho e chatices, aguardo pacientemente de headphones a posto e um qualquer filme até que do flight deck se ouça
cabin crew prepare the cabin for landing
e tal como eles o farão, saltarei do meu lugar onde permanecia já descansado mas no meu caso expectante de olho no relógio pela altura em que entraremos em aproximação final e o trem tocará o chão
de novo em casa, com tudo o que de bom e mau advém dessa circunstância, espero apenas encontrar este que me vai tocando a pele levemente,
o Sol
somos assim feitos das coisas verdadeiramente simples, aceitando tudo o que o Mundo tem de bom para nos dar e efectivamente aprendendo a ignorar tudo o que é menos aprazível, o que é até deprimente e desgastante
é verdade, são umas horas boas de trabalho daqui a um bocadinho, ainda que acompanhado pela sensação e antecipação de bons momentos feitos de coisas simples
em casa
ao Sol

24.2.09

Factor #3 (Sonhos)

Saem-me penas do colchão,
incomodado não consigo evitar pescar a ocasional que me toca incomodamente a epiderme como se de um enviado do raio que a parta se tratasse
perdido em pormenores como o percurso do dito invólucro de um qualquer animal que me serve de conforto em noites mais frias,
o Nova Scotia em fundo a preencher-me a musicalidade de uma noite em que admito
já me pesam os olhos
entendi que pode ser-se ao mesmo tempo estupida e imbecilmente egoísta e especial
isto porque o Mundo é efectivamente egoísta, com todas as pessoazinhas que sobre ele caminha e sim,
existirão sempre outras pessoas para catalogar tais imbecis como disse
especiais
sem que alguém lhes diga que a banalidade é feita de coisas assim, que a ausência de carácter é o maior pecado que um ser dito humano pode conter na essência a que se chama, por vezes desperdiçadamente de
alma
pondero quanto tempo sobrevive um sorriso,
quanto tempo demora uma lágrima a secar e sumir-se do seu traço,
coisas tremendamente banais e usuais em seres que somos
pondero porque não passo mais tempo a escrever que não na minha mente e porque guardo tantas mais coisas sem uma letra que seja exposta
respondo que o Mundo é egoísta e não tenho palavras que o mudem
amanhã acordarei para um Mundo pior e farei a minha parte,
não farei parte do pior
não enquanto souber sentir o que é
sonhar

17.2.09

Factor #2 ((des)Ilusão)

Há outros dias em que se acorda,
não que não se faça todos os dias à excepção dos dedicados a directas
os sonhos que nos fazem regressar a lugares que nunca existiram e onde fomos felizes a fio
as palavras iguais e os gestos,
reminiscências de coisas que nos fazem no dia em que acordamos recordar o porquê de não,
não fazer sentido e não voltar a ser
existe esta larga linha onde pessoas imensas saltam e dão pinotes na corda bamba
entre o ilusório da ideia que têm delas mesmas e dos julgamentos que fazem dos outros corre-se o risco de se estar redondamente errado no ponto que vai do início ao fim
da corda
Como quem escreve por mero gosto e está certo de que existem textos bons e maus,
notoriamente um mau
mas que nem por isso se deixa abalar porque nem todas as coisas belas do Mundo são perfeitas, nem todas são majestosas e sem apreciarmos a vida pelos seus defeitos jamais tiraremos partido das suas maiores dávidas
convencidos que estamos agora todos de que vamos viver para sempre,
talvez porque a nossa vida passa pelo hi5, pelo facebook, pelo msn e por outras esquisitóidices do tipo, essas antes evolutivas e apenas dependentes da disponibilidade ou não da tal rede,
esquecemo-nos alguns muitos de viver, de deambular pela vida de sorriso parvo,
de meter a mochila às costas como eu amanhã, depois de amanhã
a me perder por um qualquer redundante e majestoso lugar que ainda me falta decidir
lá me voltarei a encontrar como tenho encontrado aos poucos nos últimos tempos,
lá não precisarei de ninguém que não tenha realmente,
como dizia um amigo um dia
não importa onde vais,
lá estás tu!

16.2.09

Factor #1 (Redundância)

Talvez a coincidir com os seguintes factores,
céu azul, sorrisos alheios, sorriso próprio, a energia que volta aos poucos mas de certa forma galopante
tiram-se diversas conclusões em dias assim,
se é que de dias ou de noites ou das coisas com que sonho durante a noite que não são de todo da vossa competência mas talvez apenas partilháveis com duas talvez três pessoas neste Mundo que não têm nome
a vida é feita de redundâncias
tal como
o amor é feito de redundâncias
não coincidências, não destinos fatídicos e maiores que as pessoas, não
re-dun-dânnnn-ciiii-as
demonstrem-me um amor actual para o qual alguém tenha esperado e (d)esesperado,
uma prova de afecto que o tempo não tenha levado como o mar leva os castelinhos de areia e aí abro um parêntisis à minha aparentemente frustrada,
que de nada frustrada tem, acreditem-me
afirmação
entre a #1 e a #20 deste ano de belo 2009 tomei a decisão sábia de e apenas por divertimento próprio e proveito maléfico ver o que aconteceria com um simples factor,
tempo
o tal, o incontornável e inconfundível, como se outro houvesse que nos fizesse mais estragos e nos deixasse passar por mais amarguras e desafios que este
à excepção de uma tal de excepção, o tempo costuma provar aos audazes que as suas teorias têm fundamento
ao fim ao cabo o Amor, seja ele o tal Amorzinho de Loiça ou o tal do "Querida mete a antena no Canal 1" o facto é que A, I, J, D, F e mais não sei quantas outras letras estão com Z, J ou R porque não estão com S, L ou T
se no espaço de semanas e de certa forma ciclicamente assisto a este espectáculo que é a vida sentimental alheia, porque estranha L quando lhe digo que não tenho paciência
ou porque duvida L - o L - quando lhe digo que afinal a chatice não compensa, para part-times e take-aways ia à pizzaria ou talvez ao senhor Chang do restaurante Tailandês por antes uma boa Masala
não é uma ofensa, mas o Amorzinho Descartável chateia-me do alto dos meus vinte e sete vividos anos, como me aborrecem as guerrinhas de bonecas, as parvoíces de meninas pequenas feitas grandes e os deambulares de pequenez que encontro em sem-número de almas
para o amorzinho part-time terei sempre a filosofia de que posso deixar os jeans no chão do quarto e que a almofada é minha e só minha,
que os hotéis onde existem dois quartos são para em cada um dormir uma pessoa,
a noite anterior não existe no dia seguinte e assim por diante
aos amorzinhos de loiça, esses que existem em fila numa qualquer estante imaginária para a qual muito raramente olho, devoto-lhes a mesma importância que aos redundantes Amores a que assisto,
ausente de olhar invejoso ou pensamentos destrutivos desejo sim que seja desta que acertam naquilo a que não me dou ao tempo,
à vontade,
ou convenhamos às pessoas
de acertar!

10.2.09

Whiskazinho!

Ontem detive-me a delinear umas letras para um dos meus Amigos,
o músico
certo que lhe darão uma ponta de inspiração para começar a trabalhar em algo por ali me fiquei eram umas quantas e tais da madrugada e já fazia contas às horas de dormir que diz-se
os aviões não esperam por nós,
como certas coisas, a vida e os seus circunstancialismos
tal como as sombras também as pessoas e a vida se move, não se mantendo no mesmo lugar por muito tempo
ultimamente o dito do cibernético a entediar-me com as pessoazinhas que me aborreceram a dada altura continuo a dizer
é a melhor forma que tenho para falar com os meus verdadeiros e bons amigos
gosto de saber que inspiro até pessoas que se fazem indiferentes,
levando-as a delinear a próxima redundância como se delas se tratasse
sem que para isso paguem direitos de autor ou sequer se comportem como gente digna,
adiante
entre os olhos pousados num qualquer mapa e meio livro que li nos entretantos de hoje,
talvez seja efectivamente o verdadeiro eremita urbano
sem pedir licenças a ninguém nem os tais ais e uis de com licença que se faz favor que gosto muito de si e saudades com whiskas saquetas
convenhamos que pode parecer ao primeiro olhar que levo a vida sedentária
sem que para isso façam contas a 27 anos mais vividos que gente que se diz vivida, corrida à vida e "grandes malucos"
de grandes malucos diria eu que nem me proponho a comentar do meu percurso
ou o de ninguém, para o mesmo efeito
o porquê de serem tantas e tais da madrugada e estar apenas e somente para os amigos?
porque entre nós e sorrisos sacanas sabemos
queres whiskas?
vai à loja

8.2.09

"Open Your Eyes"

A cada dia adormecemos para no dia seguinte, esperemos, acordar
como se de um botão de reset se tratasse, a cada dia o abrir dos olhos
o expirar forte a assegurar-me que estou vivo e o inspirar sereno de me obrigar a iniciar um novo dia
acabado de chegar daquela terra que é tão minha
onde pudera quem não
por momentos espreitar ao que me deteve e diria sem dúvidas
ou dúvidas mil, se bem vou conhecendo os outros seres
única
vivemos neste aparentemente permanente estado de coisas que não nos iludamos
não são permanentes
onde sonhamos com o que tivemos, com o que desejamos ter
o que somos e desejamos ser
o que amámos e amamos e até
com o que sonhámos
imunes a julgamentos e preconceitos, ainda que sujeitos aos mesmos medos
aos mesmos lugares e pessoas ou essências delas
acreditaria mais nisso
essências delas somente
ao abrir os olhos ao Mundo aparenta esquecer que as pessoas são isso, essência
como aroma que nos toma no meio de um campo verdejante
terra acabada de molhar da chuva
um prato da tua comida favorita
a pele daquela pessoa
ao abrir os olhos cada dia perdem-se estas coisas para mil de nós
resta a noite para sonhar novamente com elas
resta o dia seguinte para esperar e tentar sim
restando tentar apenas sim
manter a nossa mesma imune
essência

4.2.09

Escuridão? Vai por mim!

Quando chegará o improvável dia em que deixaremos de cometer o erro de julgarmos os outros?
A dada altura desta existência ténue que chamo minha, deparei-me com o desafio de deixar de o fazer. Ou melhor, continuar a ceder ao ímpeto irresistível esse de Portuguesismo afincado que tenho de sim, julgar as pessoas por atitudes, por não fazerem pisca, por olharem para as mamas da miúda que me acompanha ou simplesmente por julgarem que porque naquele dia saí de ténis, calças de ganga e blusa de alças com o casaco do capuz sou por algum momento um qualquer desgraçado que deu à porta com a enxurrada.
Dizia a alguém que gosto de aviões mas que a vida e típicos dramas de crew que passam na galley FM me entediam de morte.
Para mim encontram-me nas páginas do The Times, The Economist ou num qualquer momento de pura renúncia em participar dos dramas de quem dormiu com quem e não quis saber. De quem deixou o namorado para ir para a cama com o senhor primeiro oficial que lhe faltam dois dentes mas consta que as três riscas na farda pagam melhor o crédito mal-parado que qualquer outra aposta que se faça.
Entediantes momentos e desafios que temos de superar num esforço titânico diário em que admito,
ignoro
para além dos bons hábitos que gosto de criar em pessoas que se me somem por entre os dedos como se algum dia destes tivesse acordado leproso - que dedos?? - acabei por tão bem como mencionei anteriormente dar-me ao trabalho de entender,
de uma capacidade de perdão do tamanho de um A340 e compreensão aos baldes, para dar e vender
se por momentos continuo a achar que não tenho jeito para boneco, espantalhinho ou ser simples e basicamente feito parvo, ao mesmo tempo creio que todos temos as nossas diferenças, medos, fantasmas e coisas parvas típicas de enfim,
gente
ao constatar que o tempo não passa disso mesmo, ao invés que tento compreendê-lo como um sem-número de oportunidades que o mesmo me dá para me melhorar, entender e progredir admito
certas coisas, certas pessoas e certas situações são permanentes
a estupidez não é uma doença, mas certamente que aparenta não ter até ao momento
cura

25.1.09

Venecia

São quase duas da madrugada
hora local de Londres, GMT, Lisboa e outros sítios que tais pelos quais guio o ritmo a que segue a minha vida
hoje GMT+1 abri os olhos e era Veneza
dizia eu desde as histórias que ouvi sempre da boca do meu pai e mãe que cidade fantástica, divina, sublime e esta manhã eu ali
o quarto veneziano em que dizia eu só o tecto faltava pintar de vermelho mas afinal branco, as cores berrantes entre o clássico de tudo e as luzes modernaças embutidas e a casa-de-banho que é de design e irrelevâncias
dormi qualquer coisinha pouca
a enfrentar o frio de uma sublime Praça de São Marcos, uma Catedral de chorar e todas as coisas que não gostei e não vou enumerar e sim, vou voltar em dias mais quentes
os pombos "cheeky" de vôos rasantes, gaivotas e pardais com lata única no Mundo
as pessoas diferentes para Italianos e a moda por todo o lado e os "cheeky looks" que povoam este país que é para mim mais que único no Mundo
a vontade de polvilhar a mente com outras coisas e da noite para o dia vamos embora
assim foi
de volta a Londra Gatwick sobram os sorrisos e as coisas que viajar nos ensina,
os distanciamentos de coisas que poderíamos levar a vida a criticar e as pessoas, pequeninas ao ponto de não terem tamanho e os cafés expresso como pequenos prazeres existenciais e as culturas que chocam sem ser de frente, como quem vai andando rua fora aos encontrões esporádicos ainda que caminhando na mesma direcção, linhas paralelas que ocasionalmente se cruzam
não encontro melhor metáfora para a vida
uma linha que com outros paralela, por vezes sim, se cruza
os olhos mais pesados que nunca e dir-te-ia que são apenas palavras e não eu,
apenas imagens e não eu,
apenas um corpo e não eu,
hoje vi os canais milenares, acordei com o cheiro de outro Mundo na minha mente, saboreei cada instante como se fosse o último, despedi-me sem dramas com um até já
somos seres que durante meros instantes são cidadãos do Mundo e o Mundo está lá fora para cada um
pisem-no
abram a merda do coração e usem-no,
mesmo que o usar seja absorver um lugar, o aroma, as pessoas e os instantes que ficam como que eternamente em nós e para nós sempre fará parte
de quem somos
nós

18.1.09

Blue Sky vs #1 Cloud

Duas da tarde
por companhia uma rockalhada tipicamente 80's-90's e o Sol que me entra pela janela a fazer esquecer que está um vento gélido lá fora
por muito que me pudesse queixar, adoro esta estranha sensação a de estar de fina tshirt dentro de casa enquanto no lugar que, esse sim chamo de casa tenho de estar encasacado a lutar contra o ar cadavérico que o frio me provoca
e é porque está frio e é porque são cinco camadas de roupa na cama e é porque o Inverno é mau e sou infeliz e vou fugir para as Caraíbas até à Primavera
não fujo
ao invés disso acabo por fugir para mais a Norte da Europa onde a chuva e o frio são uma constante e me passeio pela casa em trajes de Verão e durmo encalorado com um simples edredon que admito, seria dos mais fininhos lá para a tal casa a que chamo casa
acabado de chegar de Alicante e penso que um dia destes mudo de vida
vou trabalhar para a peixaria do senhor António, para o talho, para o mercado a vender flores ou eventualmente a oferecê-las a todas as magníficas que se apresentarem interessadas nas ditas
este fim-de-semana e os colegas a dizerem que vamos sim a Veneza porque o Carnaval vem aí, o Joe que me diz que Berlim nunca esteve melhor e Faro outra vez ali à distância de aterrar lá e pegar no sacana do León a preço de banana e vamos embora, Sevilha é já ali
diziamos nós ao fim da garrafa de whisky e da noite ainda antes de a caminho de casa, entre a tourada da Sueca e das outras duas que nunca tiveram nome porque admito que não encontro em mim a vontade para fitas ranhosas em bares e não
não me permito a erros desculpados por qualquer que seja a quantidade de substância alcoólica e afins a que me possa dar ao luxo - entenda-se maluqueira - de consumir
terminada essa noite comigo com o pescoço queimado por um cachecol - acreditem-me, dói para xuxu - e um qualquer anormal esmurrado sem ter pensado duas vezes por yours truly e não é que não fomos a Sevilla?
nem botellón nem o amigo Manuca possuído que me dizia que ao levarmos o Luís com aquele feitio ao fim de uns copos a chamar Espanhol do C....acilhas e não,
não saíamos de Sevilha com vida
exageros!
ao fim ao cabo o Paul que apenas me conheceu seis meses entendeu que sou eu próprio, livre de chatices e arrogâncias parvas que me servem de desculpa e escudinho quando estou entre os meus,
com mau feitio é certo e sabido e eles sabem-no
mas com estúpidos sorrisos permanentes e rir de doer a barriga e chorar por mais que sim, choro e de conversas até de manhã acerca delas porque são isto e aquilo mas não deixamos de as admirar, adorar, querer enfim entender e tenho dias que sim
nos dias que não calo-me e respeito a indubitavel diferença que existe entre nós
nisto o fim-de-semana ainda tarda, é certo
porém o planear coisas com antecedência é o meu fraco e não vivo em expectativas de coisas a dias de distância mas sim em coisas feitas em cima do joelho, de pancadas momentâneas e dias assim porque sim, me sabem muito melhor, me fazem vivo e de vivo só tendo a passar a morto
portanto vou vivendo,
opção própria e sábia
gostei do dia de hoje, porque os sorrisos parvos ignoram o telemóvel que recebe mensagens vindas do espaço e focam-se em coisas que aparentemente tinham desaparecido mas já disse antes
as iludências aparudem!
perdão, aparentam-se ilusórias..

7.1.09

The Other Cheek? Kiss Me!

Diria um sábio certo dia ou noite que
alma grandiosa aguenta de frente os maiores embates a que a vida se proporcionar
com esses sai mais experiente, mais serena, mais sábia
mais alma
2009 chegou sem surpresas
afinal de contas como havia mencionado a título prévio, mais não é que mera formalidade de tirar a página do calendário para deixar a descoberto a seguinte
para mim não passa da perspectiva de um Verão cada vez mais próximo, de calções vestidos e das nossas tardes na esplanada do Baleal a emborcar superbocks nas pausas da surfada, de areia nos pés e bola no ar e a sensação que não é sensação mas certeza de que não, não precisamos de mais nada para sermos felizes
o João entende, o Paul entendeu, a Andreia entende e mais um rol limitado de pessoas que conheço certamente depreenderia o mesmo
não sou um miúdo, mas as pequenas coisas emocionam-me mais que aos miúdos, ao passo que eu mesmo admito, passo quase inerte às grandes coisas
existe uma grande diferença entre quem sente para fora e quem sente cá dentro
os primeiros sentem as coisas e nas coisas, os segundos sentem a si e aos outros
não que os primeiros sejam seres inanimados, mas as intensidades oscilam mais do que se possa aparentemente presumir e daí advém
as iludências aparudem
perdão, aparentam-se ilusórias!
como as palavras que se escrevem, as que se dizem, total e completamente desacompanhadas de atitudes que as cimentem
os meus pensamentos vão para os que não se deixam levar pelo facilitismo das derrotas, pela inércia e pelo comodismo
nem sequer por críticas de pessoas menores que de tão pequeninas as devotamos ou mereçamos devotar ao esquecimento não parcial, mas total
a que nunca jamais e como punição encontrem em nós um átomo de compreensão, de sorrisos e coisas boas
dar a outra face?
dêem a vossa primeiro, eu sigo..

5.1.09

Dualismo (no novo ano)

Temo que a escrita tenha feito falta
tanto quanto fazem falta aquelas pequenas coisas
as únicas que nos mudam
apenas comparáveis às ausências das pessoas que amamos e nos mudam a alma
as minhas ausências são explicadas pela vontade de acumular intrinsecamente interligada à minha vontade de não querer partilhar
não com o Mundo, assim em vão facilitismo ao qual por vezes sou dado
como se a minha alma fosse para ser um livro e como se sim, fossem os olhos que nela poisam por breves palavras realmente fazer juízos por excertos de excertos de dias
que não deveriam
como tal pretendi dissolver-me no tempo, como se de água me tratasse e o tempo de areia que tudo absorve para mais tarde, imóvel e irreconhecivelmente idêntica ainda ali perdurar
não perdurarei e tenho a plena consciência de tal
não de hoje, não do ano passado mas de sempre, característica que não me amputa o espírito nem os sonhos mas que me separa por vezes dos muitos demais com que me cruzo
ao fim ao cabo um novo ano que diz um qualquer calendário que já é o dois mil e nono como se as pessoas a contarem os outros antes do zero e a dizerem
ah, feliz trezentos e cinquenta e sete antes do zero e não, não tem a ver com Cristo, apenas calhou
ao fim ao cabo apenas uma coisa me incomoda nestas passagens do ano à qual desta vez passei pratica e entediantemente indiferente
as pessoas não mudam, os problemas não se dissolvem, os sonhos não se realizam e a vida não se torna instantâneamente mágica como se de uma sopa de galinha de pacote se tratasse apenas porque o calendário passou de 31 para 1
a vontade continua a mesma, as pessoas igualmente mesquinhas, a vida igualmente difícil e o comodismo a moeda de troca mais comum
ano novo vida nova e não me impeço de soltar um riso de ironia perante a estupidez
sim é um novo ano e se quisermos ser pequeninos e dividir a vida por anos sim, representa uma janela de oportunidade,
tal como representam todo e cada dia em que abrimos os olhos e ainda caminhamos sobre este Mundo!
como não nos podemos mudar tanto quanto desejaríamos e muito menos aos outros, à alma dos outros ou quiçá, apenas oferecer-lhes uma embrulhada em papel e laço bonito, podemos apenas dar energia às nossas vontades essas sim
de tornar realidade os nossos sonhos
são 1h30 da madrugada da primeira semana de um novo ano
continuo a ser eu e lá fora continuam a existir as pessoas que me tentam magoar, as que gostam de mim por quem sou, as que me invejam, as que me desprezam e as que não podem comigo nem pintado
uns dias vivo com isso, outros sobrevivo
e vocês?

25.12.08

Natal vs. Xmas

Voltámos ao mesmo
o calendário poisou no vigésimo quinto dia de Dezembro e as pessoas dão mais um pulinho e meio pinote no Planeta Hipocrisia
gosto, admito que gosto do Natal
algures ontem entre o patinar no gelo pela primeira vez, Torre de Londres e ponte como cenário ao cair da noite não muito fria, fazendo semi-brilharete na estreia e feliz porque sim, não me faltou tanto assim
ausência do Pai e da Mãe, da Avó que guerreia para não vir jantar, do smokie e da snow
dos que partiram este ano
do avô "Melito" que me fazia cócegas quando era pequenino e me adorava como neto desligado que eu era, do senhor gato que pedia colo por tudo e por nada nos seus biliões de "Miaus" e até o senhor pombo que não via ponta de corno e não terá visto grande coisa até ter partido
voaram todos este ano que foi difícil, de mutações mais profundas do que me proponha escrever e partilhar com quaisquer pessoas através de linhas num blog
de pessoas a quem dei chances em vão, de amigos que cimentaram a sua posição na minha alma e de difíceis vitórias pessoais, bem difíceis
acima de tudo apraz-me ser Natal e estar vivo
respirar o ar frio, sentir as pernas dormentes quer dos abusos profissionais quer dos pessoais a que me disponho, das noites ínfimas mal dormidas e das centenas de horas de vôo que levo no bucho
da distância que conquistei de outras coisas que não se permitiram ser melhores, de pessoas fantásticas e maravilhosas que conheci, de ter tornado o Mundo do tamanho de uma carica ao passo que para muitos manientos este ainda é imenso
e é, mas para mim um pouco menos
as mãos mais cavadas e o sorriso por vezes demasiado pesado pelos olhos cansados e não explico nada a ninguém que não entenda porque não estou para isso
desejo todo o melhor a todo o Mundo e o Mundo que me deseje o que entender, não importa
a todos os dias faço o melhor que posso, com alma e sem arrependimentos de maior
hoje Natal passou e desejei o melhor a todas as pessoas que me importam sem surpresas
Feliz Natal pessoas desse lado, voltarei brevemente para escrever algo que não isto

M

10.10.08

Ali

Palavras,
palavra que apenas palavras, sem actos que as acompanhem pela força que têm, que nos suplanta, que nos supera em tudo
a nós não, a vós
a mim por vezes, ao ritmo a que meço palavras que são apenas minhas de coisas que fiz, ruas que percorri e olhares que deixei suspensos no ar permanecendo à minha passagem
insignificante
coisas com que alimento a alma, saborosas melodias que me deixam sentir que estou vivo enquanto o Mundo pretende que esteja ausente,
morto
a nossa existência é feita de pessoas e lugares
as primeiras testemunham a nossa peculiar passagem, os segundos albergam-nos os pensamentos e os sonhos que num qualquer dia cinzento o vento levará
eu ao volante no final de tarde e pensar
um dia morrerei aqui,
ao passo que talvez já sumido para outras vidas, outras existências enfim,
outras histórias
a pensar nos lugares onde os pés enterraram na areia, nas conversas que a areia testemunhou e nas palavras que o vento, esse a soprar forte, levou
todos os dias se esgotam, como uma alusão à nossa vida
as mentes brilhantes e os corações cintilantes deste Planeta talvez o tenham já entendido e depreendido que não, não há tempo a perder em coisas grandes
apenas em coisas pequenas, em minimalismos existênciais, em pequenezas da alma e do sentir
só e unicamente assim poderemos alguma vez dizer que sim,
fomos felizes

25.9.08

Só Meu, Só Teu

Somos pequenos,
minúsculos seres capazes de coisas brilhantes
de brilhos nos olhos, de sorrisos que dizem mais que mil palavras, de poisar olhares em nada e sonhar um todo,
humanos
temos um coração maior que nós, uma alma que nos suplanta, um céu azul acima mesmo quando não conseguimos vislumbrar ponta do dito tom
vivemos este bocadinho agora, este piscar de olhos, esta coisa que nem conseguimos ou sabemos definir
não como seres mortais mas acompanhados pela imortalidade dos nossos sonhos nem que o tal
de sermos felizes
sorrimos, choramos até não poder mais, rimos e gritamos de dôr
partimos ossos, almas e corações, temos cicatrizes
enfrentamos o Mundo ou escondemo-nos no nosso
dizemos verdades ou mentimos para nos tentarmos convencer de outras verdades
contamos a nossa história sempre de uma forma diferente, desenhamos detalhes
acordamos, dormimos e sonhamos
temos pesadelos,
mimamo-nos e punimo-nos, seguimos em frente a cada nascer e pôr-do-sol
ontem eu e 37.000 pés
chá verde na mesa, a fruta, o british hot breakfast e a janela com um manto branco por baixo, um imenso azul por cima e o nascer do Sol ao fundo
invejei-me por momentos em antecipação a um dia em que não tenha este pequeno prazer de tão imenso que me é e me assola
abro um pouco mais a alma e sinto que só ganho com isso, em ser nem que por momentos eu mesmo, ao quanto me custa estar efectivamente nú de ser para com outrém
dou um passo para lá da muralha e esta desmorona-se um pouco
posso não dizer o que quero, não conseguir o que desejo, posso nunca mais sequer saber o que é ser feliz mas hoje acordei
por baixo do céu azul, este eu pequeno, minúsculo e efémero que sou olhou em volta de si mesmo
a muralha tinha desabado e eu ali, só eu
e o imenso céu azul ao nascer do Sol

10.9.08

3h03

Porque não uma hora qualquer
a assinalar um qualquer momento como se diferente de todos os outros aos quais eu, admitamos
indiferente
a televisão de si já rendida à evidência
ninguém estava a olhar, a companhia inexistente por muito que se pudesse desejar o oposto
ao centro a mesa, sofás opostos
35'South, o Chileno
"red"
desisti num qualquer triângulo de vida onde me encurralo de procurar um motivo
bring that bottle over here, I'll be your baby tonight
a rendição às evidências é um ponto de equilíbrio, ao qual todos chegamos, o qual todos ansiamos
entre todos estes objectos inanimados repouso o já mais que cansado e abusado corpo num qualquer sofá rouge
ao visualizar a minha cabeça tombada na almofada
o corpo inerte na larga cama
e os sonhos a deambular por qualquer mundo que lhes aprouver,
sei que algures entre o momento em que me despeço de mais um dia gasto,
o saldo esgotado,
tenho ainda a fazer todas as conclusões do dia
as conversas que tive, as pessoas com que interagi
a menina do autocarro, a fitante do BMW, o senhor da caixa do supermercado
a chuva que caía sobre o meu pescoço e eu
vivo
por muito que prezem fazer-me de morto e inexistente, como se eu inerte, indiferente, incapaz de sentir o que fôra
por muito que me sacuda desta gente que não sei
não digo
ainda vou deitar os olhos pesados num horizonte que vou inventar,
sonhos postos em algo que me falte, em algo que deseje
algo que anseie
trocado por coisas que julguei ter e nunca mas hei,
o Mundo é feito de pequenas coisas que se fazem escuras perante os nossos olhos
talvez mesmo como ela
a vida
são 3h11

27 no dia 27 e ainda me há-de ocorrer como algo relacionado com um telefone está directamente associado a "Parabéns, desejo-te uma vida de felicidades"

6.9.08

Dreams,

Esta manhã
o telemóvel de mansinho
ever since I saw you, I want to hold you like you were the one
e o corpo imediatamente puxado de um qualquer sonho
um lugar onde estava bem, talvez por momentos completo
queria ir para lá viver um dia, para lá morrer, para viver
cruzo milhares de olhares diariamente,
permaneço na companhia do meu
3h50 e o espelho a dizer-me
cansado
a antever anos pela frente, esperemos, mas afinal esperar pelo quê?
acordei um dia destes em que não me lembro e disse ao Mundo que tinha parado de esperar
que os sonhos trocados por eles mesmos trocados,
algo menos irreal, menos infantil
menos sonhos de miúdo, de coisas felizes e mágicas a deambular pela minha ténue e breve existência
não nos enganemos, é breve
ainda a semana acordei, também madrugada fora e pensei
27 anos
ainda lá bem longe num lugar que é só meu, pintado com todas as minhas cores
ninguém que devia entender percebeu
também sou de carne e osso e alma
muito mais alma que carne e osso
com todo o peso dos meus sonhos, das minhas ilusões, dos meus desejos e sim
dos meus medos
poucos esses, a prenderem-me à Terra
que serão os medos senão o que nos ancora à ténue existência?
aqui permanecemos, uns mais ancorados ao Mundo que outros, todos a caminho de algo que pertinentemente ignoramos
este sangue a correr pelas veias bem forte
faz-me cortar todas as amarras,
menos aquelas que me prendem aos meus sonhos
só aos sonhos

1.9.08

E(m)fim

Ontem morri mil vezes,
a planar sobre um qualquer lugar a pensar que a qualquer dia, um dia qualquer nunca mais ver
a minha casa, os rostos, sentir o calor
e os lugares que perdi de vista com as pessoas todas sugadas la para dentro algures sumidas quem sabe
para sempre
enquanto pousava mais uma vez o olhar em algo que ninguem nota se nem sequer no proprio olhar
deleitei-me com uma qualquer coisa que ja tivesse sucedido para estar a milhas de distancia, a fazer aquilo que tao bem faco como se profissional fosse
ignorar
nao ignorando.
as minhas manhas, o comecar do meu dia planeado em minutos
o tempo disponivel para o banho com a roupa ja de acordo com os ponteiros e eu fresco por vezes a sentir-me nem tanto, nada
a mala com tudo posto sem nada que lhe falte e a chave
algo para comer, rapidamente
os pensamentos postos sempre em qualquer outra coisa, nunca desligados e eu a ser levado com eles
arrastado
porta fora e para onde calhe ja nao importa
o Mundo tornou-se finalmente pequeno, conhecido como aquele tipo que encontramos frequentemente mas nao lhe conhecemos os segredos ou pormenores
gostava de um dia escrever como dantes mas perdi o tino,
saltei do barco para a agua e nadei ate a margem do lugar
qualquer lugar, qualquer que seja
no entretanto perdi fragmentos de mim, dizia-me a minha mae
tao British e eu de sobrancelha levantada e olhar agucado apontado a ela
com a razao toda a pairar sobre a eventualidade de ser verdade,
de talvez ter perdido algo e perdido sim,
talvez o muro esteja finalmente alto demais para ser transponivel

23.8.08

Pormenores, Dissabores, Pormenores

Vinha esta manhã recordo vivamente
descer os 20.000 pés,
o piloto automático a corrigir por si a altitude para a pretendida
a imensa "montra" que é a de um cockpit e Lisboa ali
não só Lisboa
Carregado, Vila Franca de Xira, Alverca, Montijo, Lisboa, Sintra, Oeiras e as pontes que ligam alguns destes lugares
as pessoas que conheço ali em baixo a viver a sua vida
mais uma vez a aterrar em casa, lugar o qual não sei bem onde é apenas dizendo que fica algures no Planeta Terra
volto a deparar com pormenores e arrependo-me do que fiz ao tempo
mais um dejá-vu
dispender minutos da vida em coisas e pessoas que juro, tivesse eu tempo e dedicava-me a detestá-las
passandoa ignorar a ignóbil existência e a minha delicada fragilidade e inconveniente amabilidade em tê-las deixado passar um minuto de vida na minha companhia
assola-me de certa forma que a imbecilidade vive por detrás destes pares de olhos que ao fim ao cabo não lhes reconheço valor nenhum, nem tão pouco minimamente maior que qualquer pessoa sem carácter com que me cruze
enquanto o A319 fazia a sua última viragem sobre Lisboa e a primeira oficial me pedia para fotografar a aterragem lembrei-me que estava num lugar onde já não sou eu
outro
aparentemente as mesmas palavras e expressões, talvez algures as mesmas coisas boas
menos comodamente comodista, menos preocupado, menos a querer saber
deveria quem me conhece depreender que os pormenores são o meu deleite, onde me perco
onde me encontro e reconheço quem é quem
residem neles também a vulgaridade e a falta de imaginação
essas coisas que abomino, que te tornam absoluta e indubitavelmente vulgar
e eu
a querer por momentos ou eternamente gritar bem alto

obrigado, não me digam mais nada até morrer!

21.8.08

Um Salto para o Proximo

Nunca desisti, diria
aprendi com as cores pintadas a vermelho deste quarto, um peqeno Mundo onde temporariamente arrasto pensamentos e memorias que nao vale a pena por vezes fazer outra coisa que nao seja
desistir
parece que desisto, perdido no tempo
a musica a invadir os meus espacos de tanta falta que me faz ter outra cor na janela
nem para escrever me digno a dedicar-te um momento, reivindiquei-os para mim na sua totalidade a falta de ter um espacinho num qualquer muro, uma qualquer pista de pensamento, uma qualquer falsa falha de nota que tivesse escapado
resto eu,
resto sempre eu
entre cada passo de cada cidade, de cada lugar que absorvo como meu sem nunca o serem, sem que alguem testemunhe o brilho nos meus olhos das pequenas coisas ou a forma como penso que respiro para cima de um Leonardo Da Vinci como ontem
de um Boticelli
um Miguel Angelo
essas coisas, arte, que portraiam pessoas cujos nomes nao me dizem nada mas persiste a sua imovel imagem para a eternidade como se uma
hoje presumo que nao faca mal pensar assim
preciso de algum tempo so para mim
talvez um dia como o de hoje, talvez uma vida como esta

1.8.08

Ponto Assente

Ponto assente,
as pessoas usam mascaras
os dias de folga sao cinzentos e ventosos, pouco convidativos ao exterior
Inglaterra tem menos de apelativo do que se possa defender, para la de qualquer defesa
por vezes um punhado de palavras muda o Mundo, a nossa vida e essa coisa do destino
tanto quanto a ausencia delas tambem o pode mudar, mas regra geral nao muda nada, faz perdurar a porcaria
o meu candeeiro marroquino pinta as paredes de vermelho e aquece-me o espirito
que espirito?
pontualmente tenho recordacoes, mas a maioria das vezes opto por nao as ter
cansado de pessoas, pessoas, farto de pessoas, pessoas
pessoas nao, gente
chamar-lhes antes nomes, gente, de indignas que seriam de ser apelidadas de outra coisa
nem revoltado ou zangado, de costas voltadas para o Mundo
apenas a ignora-lo temporariamente como por vezes ele a mim
entendemo-nos bem
mudar para onde? amizades em que cores? pedem-te apenas favores
liberdade para mudar, liberdade para sonhar, para ouvir dizer que fez, que melhor, que saltar
ate ao dia ainda ninguem me seguiu as pegadas, calcou os sapatos, vestiu a minha roupa e foi fazer por mim
amanha nao sera diferente
hoje foi igual
recarrego o sorriso no lugar de onde venho, dura-me uns quantos dias ate se extinguir, de tao pesado que se torna o lugar
tenho sono e o corpo doi-me constantemente,
vejo-me cada vez menos, gostava de ver mais
tenho sonhos do tamanho do Mundo, mas nao gosto deste, quero outro
sempre outro
nao chamo por ninguem, o vento vira por si
trazendo as nuvens para aqueles meus dias de folga
isso eh ponto assente

18.7.08

0125 LGW SXF

Sexta-feira,
apos seis dias cheios de ar pressurizado, milhares de rostos alguns dos quais perduram mais que meros instantes
casa, off duty
ainda a sentir a semana passada em que os olhos a abrirem pela manha e pensar
estou em Berlim
estava e as ruas a lembrarem casa com a sua calcada e arvores, avenidas espacosas e lojas que conheco
diferente de Inglaterra, sem duvida, ao mesmo tempo bem mais familiar
os sorrisos das desconhecidas na rua, os cafes, os ambientes relaxados e relaxantes onde me pude sentar por momentos que pareciam pequenas eternidades de satisfacao
o meu Amigo com A gigante de tao dedicado como so os grandes amigos sabem ser sem necessitarem estar sempre em contacto mas sabendo nos que estao sempre ali
a distancia de um e-mail, uma mensagem e ate um telefonema
hoje o dia cinzento a dar o welcome to your days off de tao pouco impressionante que ja se torna o tempo estar sempre em puro desacordo com o meu estado de espirito
a precisar de dias fora de casa e longe de avioes e aeroportos, de Sol e ceu azul
detesto este sentimento mas convivo com ele por horas e dias a fio
ironicamente os amigos todos a milhares de quilometros
eu aqui
ironicamente

3.7.08

ESBY

(denominacao para Early Standby)
seis e trinta e cinco da manha
diria madrugada, nao fora a madrugada por este lugar ser um misto de raiar do dia com cantar de passaros que se faz notar ainda pouco antes das quatro horas
das sete as nove e trinta, das quas sao agora sete e trinta e oito presume-se que para motivos de bom profissionalismo me mantenha contactavel "just in case"
infelizmente o dito "just in case" eh frequente, pelo que nao sera de estranhar ter que interromper as ditas linhas e correr para o aeroporto para um qualquer voo para o qual alguem tenha faltado
nao se julgue a partida que sera praxe pois ate os mais seniores estao sujeitos a este tipo de coisa umas quantas vezes ao mes
especificidades, tools of the trade
timidamente o Sol bate nos lencois que estendi ontem ao final da tarde
presumo-os secos mas nao me consigo agora incomodar a tal hora da manha com trivialidades dessas, sendo que pefiro pousar o olhar na passarada que se amontoa la fora por breves momentos ou simplesmente na forma como o azul do ceu vai sendo invadido por uma pequena neblina branca que, provavelmente, dara em mais um dia cinzento
como eu
por vezes a pergunta,
presumes ficar aqui para sempre - como se - ou voltar?
e eu pensar voltar para o que, para quem
como se nao soubesse a resposta imediata afinal, ora afinal
onde ganharia de inicio o que ganho aqui? ou de meio, ou ate de final
os meus pais tinham razao
a matematica eh indispensavel na vida ou pelos vistos sem ela nao ha como sustentar a vida e eu,
rendido as evidencias das coisas e coisas que tenho ou posso comprar, como se
nem por momentos feliz com coisas, com o primeiro grande salario nao corri
comprar roupa, iPod, telemovel, coisas da moda e a pensar no proximo sonho a seguir a este pois ha sempre um proximo e quanto me faria falta mais que qualquer adereco,
persegui-lo
como se a vida nao fosse mais que substituir sonhos por sonhos, para nos felizes os que nos podemos dar ao luxo de os perseguir, a espera de uma prisao qualquer ao virar da esquina que nunca surge
podera nunca surgir afinal, pensei nesse risco esta manha enquanto me barbeava e o olhar suspenso no espelho a reflectir
eh verdade
nao sei afinal de contas ao fim destes anos o que eh suposto ser isso tudo de maior que a vida
com cada dia que se extingue e as oportunidades que leva com ele
comigo sentado, admirado com a forma como o tempo voa e o que ja de si levou sem deixar grande coisa, voraz
migalhas de coisas, nao fora a memoria a atraicoar-me constantemente e diria que nunca tinham ocorrido
nao fora cicatrizes ca dentro e diria que nunca as tinha vivido
mas vivi
e hoje o dia amanhece glorioso, para onde quer que me leve ja decidi usar um adereco da velha moda
sorrir estupidamente
como sorri quem esta feliz com o que tem, de olhos postos nos sonhos que pretende vir a ter

28.6.08

Simple



Diria novamente a hora
duas e vinte e tres, chegado de quatro voos que seriam cinco nao fora atraso apos atraso e o offload da tripulacao inteira
nao aguento disse a Susi tambem chamada de Maria, de Madrid e o Carlos, outro madrileno exaustos enquanto a rectaguarda da cabine eu e a Trudie tentavamos manter a energia para o caso de termos de fazer o quinto sector do dia
nao tens namorada porque?
a pergunta mais ignobil que vejo repetida vezes sem conta nestes dias que passo as cavalitas de um Airbus A319 feita por ambos homens e mulheres com idades entre os dezoito e os trinta e qualquer coisa anos com mais bandeiras que aquela porcaria no Parque das Nacoes que me parece agora tao distante como uma qualquer aldeia diria
no Zimbabwe
amanha a mesma tripulacao e a Trudie novamente
nao tens namorada porque?
ao que a dada altura lhe disse que o medo do compromisso sem que tivesse enfiado um par de cornos na ultima ou sido o maior filho da puta
que devo ter sido algures em dia incognito que so ela sabe
as mulheres usam calendarios diferentes dos nossos, homens e nao precisam ser filhos da puta para que elas achem que voces sao uma merda
portanto merda pela merda, os homens dao-se a chatice de serem cabroes so para chatear, acabando por fechar o ciclo vicioso de tanta porcaria que vai dentro de um peito humano e o Comandante
cabin crew prepare the cabin for landing e eu hoje cansado sem paciencia disse de forma bruta
ou coloca a bagagem no cacifo ou muda de lugar sem sorrisos e sem simpatias, pura e simplesmente uma frase imperativa em estado puro e bruto como disse nos ultimos minutos
puta que te pariu
e a vontade de te ver pela frente um dia destes nessas merdas de atitudes de pita e agarrar-te pelo braco para nem te dizer nada que nao fosse dito com um olhar
badamerda
e as voltas dadas num relogio que pareceram em vao para vir aqui parar ao meu sofa vermelho
a recordar-me do trexo Jorge Palma no sofa vermelho
e o Jorge todo fodido falava do Eulisses e depois aquilo eh uma granda salganhada, mas e depois? o pior vem depois, ah pois eh
dei por mim a ler a Odisseia de Homero e a pensar que ainda tinha que flipar um pouco mais
pu-la na prateleira a ganhar po e meses em cima
a devorar pontualmente o meu Amor em Tempo de Colera pagina a pagina a viver este bocado de mim em plenas Caraibas do virar do seculo passado e por vezes tem destas coisas a mente a fugir-me e porque nao rir?
rio-me tambem naquele pegar do braco afinal tanto girar de ponteiros e nada, nao percebeste nada de nada
revoltado com o David Fonseca e a sua falta de originalidade para um video a roubar ideias a genios e tao Portugues afinal voltou a estaca zero mais um
de tao pequenos pode ser que imitemos os maiores porque de tao pequenos os maiores nao os vemos ou nao conhecemos, passam despercebidos
ignorei
enquanto a chuva batia na janela do autocarro a caminho do Terminal e abencoada a tarde apenas nublada e ventosa e eu no "stand one" a esperar o aviao ca em baixo e todos de dedos enfiados nos ouvidos pelo roncar ensurdecedor do motor
superado pela descolagem do outro em Belfast e eu a porta a pensar
brutal
I wish for one time you could stand inside my shoes
mas nao estas,
nao queres, nao podes e nao vais
porque nao, apenas
para que complicar?