31.5.12

Alma Mater

Na minha mente escrevo estas coisas mil,
das quais estas que efectivamente escrevo parecem sempre ficar aquém
enquanto o Mundo já só se foca num qualquer estado de facebook,
um whatsapp irrelevante, o próximo tweet, um irrelevante qualquer modo
de exprimir
persiste-se escrever,
mais, é urgente escrever
como se o tempo pudesse acabar a seguir, já farto de persistir na aparente eterna andança da nossa existência
enquanto nos deleitamos com a infantil ideia de eternidade,
esquecemos que importa mais termos um rumo, um futuro
mais, deixar um futuro a quem a nós se seguir
imaginarás alguém ler as tuas palavras daqui a 100, 200 anos, 
se gente houver
com todos os juízos que se poderão fazer, 
de superioridade tecnológica, de distanciamento do nosso simples tempo
como se nós não todos homens, de carne e osso,
cada vez e apenas mais dependentes de máquinas, cada vez mais distantes uns dos outros e do Mundo que nos dá existência,
cada vez mais ignorantes de pôres-do-Sol, de sentir a força das ondas a lembrar a fragilidade do nosso corpo, da adrenalina que nos corre o corpo quando nos colocamos na linha
e nisto sou um quasi-saudosista,
de ter existido num tempo de transição,
em que a nossa dedicação à tecnologia era apenas parcial,
onde namorávamos a miúda gira da escola com olhar e palavras, distantes das distâncias que agora se praticam
e se tudo isto não fôr afinal viver,
se nos tornámos apenas reflexos digitais daquilo que deveríamos ser ou pior, daquilo que desejaríamos ser
então não creio que nos possamos já chamar humanos no sentido lato da palavra
afinal metade homens, metade digital
esquecemos que um dia tivemos um coração,
esqueceremos que um dia ambicionámos ter alma?