1.8.10

Enlighten Me

Na vida cruzaremos milhentas vezes caminho com pessoas milhentas,
das que nos conquistarão com sorrisos, com gestos e olhares, com maneiras de ser afáveis e inspiradoras de confiança
outras que não passarão da primeira impressão,
essa de que tanto se escreveu e pintou na vida
e devotaremos ao esquecimento ou a uma listinha negra de detestáveis
entre todos estes jogos de amor-ódio e indecisões e períodos de decisão acerca de quem é o quê, do que interessa e para quê, de quem é o que é e de quem finge ser o que não,
que nos mantenhamos imunes,
iguais a nós mesmos, irredutíveis na nossa maneira de ser, honestos para connosco no nosso espírito empírico
ao que parece cansei de sorrisos fáceis,
de gente aparentemente adorável, afável, incapaz de ao primeiro ponto de pressão não demonstrar que todo aquele show-off não faz de todo a sua personalidade
cansa-me os que se lembram de outrém por favor,
dos minorismos existenciais e que nos amputam a alma de tal forma que tornam a existência enfadonha
agradecendo aos céus momentos enfim a sós em vez de por seres assim acompanhado
nada mudou,
o sossego é um dos pilares da felicidade,
aliado às poucas pessoas que permitimos no nosso Mundo, em prismas de boa vivência, existencialismos fáceis e fluidos, em suma sem confusões
aos lugares-comuns da humanidade teremos de julgar com pena pelo potencial desperdiçado,
pelas vivências que se perdem, que se consomem em coisas, lugares e pessoas desinteressantes e situações sempre iguais, cópias de outras que elas mesmas de outras
dias há em que me preenche esta sensação de que o Mundo tem vários ritmos,
que ninguém efectivamente está ligado ao ponto que julga estar, que pinta estar,
que os eternamentes são apenas para as rochas, para o Universo
nós, na nossa insignificante persistência de existir
colocamos assim nomes, adjectivos, palavras ao Mundo, às coisas, às pessoas e em suma à vida
talvez assim nos tornemos um pouco mais eternos
menos triviais

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